Uso Ilegal do Glutaraldeído em Alisantes Capilares
Am J Contact Dermat. 1998 Mar;9(1):29-33.
Clin Exp Allergy. 1999 Jan;29(1):124-32.
A principal proteína presente no cabelo é a queratina, rica em enxofre, o que permite uma grande quantidade de interações denominadas pontes dissulfeto (ligações S–S), que são, primariamente, responsáveis pela forma do cabelo. O princípio aplicado no alisamento de cabelos é quebra destas pontes dissulfeto: um produto químico redutor é aplicado ao cabelo, que perde a forma devido à quebra das pontes dissulfeto. O cabelo é, então, moldado na forma desejada. Em seguida, aplica-se um produto químico oxidante para que novas pontes dissulfeto se formem e o cabelo se fixe no formato liso.
Proibido por Lei: A Anvisa Proíbe o Uso de Glutaraldeído em Alisantes Capilares
A utilização de formol ou de glutaraldeído em alisamentos capilares é proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Anvisa permite o uso de formaldeído (formol) ou de glutaraldeído (glutaral) em cosméticos apenas com a finalidade de conservante, nas concentrações de 0,2 e 0,1%, respectivamente, de acordo com a RDC nº 162, de 11 de setembro de 2001. O glutaraldeído deve seguir o ordenamento da Portaria nº. 15/88 que, além de atender as normas sobre embalagem e demais condições de rotulagem para os saneantes, determina as substâncias permitidas no país. Entre as substâncias que podem ser empregadas como alisadores estão o hidróxido de sódio, o hidróxido de cálcio, hidróxido de lítio, hidróxido de potássio, hidróxido de guanidina e o tioglicolato de amônia. Mesmo os alisantes convencionais possuem substâncias que são irritantes para pele e, se aplicados indevidamente, podem provocar queimaduras graves e queda de cabelos (1).
Alta Potência de Ação do Glutaraldeído como Biocida: Uso como Esterelizante de Materiais Cirúrgicos
O glutaraldeído (GA) é usado em uma variedade de indústrias como um agente desinfetante, conservante, fixador e de cross-linking, e como um intermediário químico na síntese de fármacos e pesticidas (2). O glutaraldeído é um biocida amplamente utilizado na prática hospitalar e laboratorial (3). Em solução aquosa, o GA é utilizado em uma concentração em torno de 2% para esterilização a frio de instrumentos de endoscopia e dentários (7).
Natl Toxicol Program Tech Rep Ser. 1999 Sep;490:1-234.
Inhal Toxicol. 2003 Jan;15(1):85-97.
Vet Hum Toxicol. 1997 Dec;39(6):340-6.
O GA é uma substância volátil e, em certas circunstâncias, concentrações significativas podem ser geradas em temperatura ambiente. A exposição ocupacional ao GA por inalação pode causar efeitos irritantes tardios (3). O glutaraldeído foi nomeado pelo National Cancer Institute para estudos de carcinogenicidade por causa de sua alta exposição profissional (2).
Natl Toxicol Program Tech Rep Ser. 1999 Sep;490:1-234.
Inhal Toxicol. 2003 Jan;15(1):85-97.
Toxicidade do Glutaraldeído: Comprovações Científicas
1. Toxicidade Cutânea
A irritação da pele depende da duração e do local de contato, oclusão e solvente. Por contato, o limiar de irritação da pele é de 1%, acima do qual, eritema e edema são doses relacionadas (4).
J Appl Toxicol. 2001 Mar-Apr;21(2):131-51.
Soluções aquosas > ou = 5% de glutaraldeído (GA) são de toxicidade aguda moderada e nas concentrações < ou = 2% são de baixa toxicidade. Em contato com a pele, soluções aquosas de GA > ou = 45% são de moderada toxicidade aguda percutânea, as de 25% são de fraca toxicidade e as < ou = 15% não apresentam um risco agudo percutâneo (4).
J Appl Toxicol. 2001 Mar-Apr;21(2):131-51.
Soluções aquosas de glutaraldeído a 2% (pH 3,1-4,5) são muitas vezes alcalinizadas (pH 7,8-8,0) antes do uso para otimizar a atividade biocida. Ambas estas soluções apresentam, geralmente, toxicidade aguda e grau de irritação da pele semelhantes. A solução alcalinizada tem maior potencial para causar ferimentos de córnea, e a não alcalinizada tem um maior potencial sensibilizante da pele (7).
Vet Hum Toxicol. 1997 Dec;39(6):340-6.
2. Toxicidade por Inalação
Uma alta exposição por humanos produz efeitos irritantes sobre os olhos, pele e trato respiratório. Concentrações de 13,86 ppm causam diminuição em 50% da frequência respiratória. Alguns relatos descreveram uma reação tipo asmática quando em exposição prolongada aos vapores de GA (4).
J Appl Toxicol. 2001 Mar-Apr;21(2):131-51.
Um estudo dos efeitos de toxicidade e oncogenicidade da inalação crônica (2 anos) do GA revelou alterações inflamatórias na cavidade nasal anterior, mas não neoplasias ou toxicidade sistêmica. O vapor gerado à temperatura ambiente pode provocar efeitos irritantes para o olho e trato respiratório, mas não lesão aguda do trato respiratório (4).
J Appl Toxicol. 2001 Mar-Apr;21(2):131-51.
Pesquisadores do Department of Toxicology and Carcinogenesis da Nofer Institute of Occupational Medicine (Polônia) avaliaram os efeitos da exposição à inalação com GA (0,025 ppm ou 0,1 ppm, por 28 dias) em ratos. As avaliações foram feitas 24 h, 48 h, e 7 dias após o final do período de exposição. O glutaraldeído causou efeitos fibróticos em pulmões de ratos quando inalado em concentrações de 0,025 ppm ou 0,1 ppm (3).
Inhal Toxicol. 2003 Jan;15(1):85-97.
Evidências dos Danos ao DNA pelo Glutaraldeído
Em estudos de toxicidade genética, o glutaraldeído apresentou atividade mutagênica em cepas de S. typhimurium. O glutaraldeído também apresentou esta atividade mutagênica em células L5178Y de camundongos e induziu mudanças em cromatídes irmãs em culturas de células de ovário de hamster (2).
Natl Toxicol Program Tech Rep Ser. 1999 Sep;490:1-234.
Os efeitos citotóxicos e genotóxicos do glutaraldeído foram estudados in vitro em linhas de células linfoblásticas humanas TK6 e em culturas primárias de hepatócitos de rato. Os dados deste estudo, publicado no periódico Environmental and Molecular Mutagenesis, demonstram que o glutaraldeído exibe atividade genotóxica reativa ao DNA que pode envolver, pelo menos em parte, o crosslinking de proteínas e DNA nestes modelos de cultura celular (8).
Environ Mol Mutagen. 1991;18(2):113-9.
In vivo, o glutaraldeído induziu um aumento significativo em aberrações cromossômicas em células da medula óssea de rato 36 horas após uma simples injeção intraperitoneal (2).
Natl Toxicol Program Tech Rep Ser. 1999 Sep;490:1-234.
Glutaraldeído: Maior Sensibilização Tópica e do Trato Respiratório Quando Comparado ao Formaldeído
Produtos químicos variam consideravelmente na sua capacidade intrínseca de provocar dermatite de contato alérgica (5). O glutaraldeído e o formaldeído são comumente utilizados como agentes esterilizantes que são conhecidos como sensibilizadores da pele. Existe alguma controvérsia, no entanto, quanto à sua capacidade para causar alergia respiratória (6).
Am J Contact Dermat. 1998 Mar;9(1):29-33.
Clin Exp Allergy. 1999 Jan;29(1):124-32.
O objetivo de um estudo, publicado no periódico American Journal of Contact Dermatitis, foi avaliar o potencial relativo de sensibilização da pele pelo glutaraldeído em comparação ao formaldeído. Os resultados demonstram que o glutaraldeído tem maior potencial para induzir sensibilização da pele que o formaldeído. Os dados são consistentes com o que se sabe da capacidade destes produtos químicos para causar dermatite de contato alérgica em humanos (5).
Am J Contact Dermat. 1998 Mar;9(1):29-33.
Para investigar a qualidade da resposta imune provocada pela exposição a estes materiais em ratos, Dearman et al. conduziram um estudo que verificou que o glutaraldeído, mas não o formaldeído, apresentou um significativo potencial de causar a sensibilização alérgica do trato respiratório (6).
Clin Exp Allergy. 1999 Jan;29(1):124-32.
Referências Bibliográficas
1. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Site: www.anvisa.gov.br.
2.
National Toxicology Program. NTP Toxicology and Carcinogenesis Studies of Glutaraldehyde (CAS NO. 111-30-8) in F344/N Rats and B6C3F1 Mice (Inhalation Studies). Natl Toxicol Program Tech Rep Ser. 1999 Sep;490:1-234.
3. Halatek T, Opalska B, Swiercz R, Palczynski C, Gorski P, Rydzynski K, Bernard A. Glutaraldehyde inhalation exposure of rats: effects on lung morphology, Clara-cell protein, and hyaluronic acid levels in BAL. Inhal Toxicol. 2003 Jan;15(1):85-97.
4. Ballantyne B, Jordan SL. Toxicological, medical and industrial hygiene aspects of glutaraldehyde with particular reference to its biocidal use in cold sterilization procedures.J Appl Toxicol. 2001 Mar-Apr;21(2):131-51.
5. Hilton J, Dearman RJ, Harvey P, Evans P, Basketter DA, Kimber I. Estimation of relative skin sensitizing potency using the local lymph node assay: a comparison of formaldehyde with glutaraldehyde. Am J Contact Dermat. 1998 Mar;9(1):29-33.
6. Dearman RJ, Basketter DA, Evans P, Kimber I. Comparison of cytokine secretion profiles provoked in mice by glutaraldehyde and formaldehyde. Clin Exp Allergy. 1999 Jan;29(1):124-32.
7. Ballantyne B, Myers RC, Blaszcak DL. Influence of alkalinization of glutaraldehyde biocidal solutions on acute toxicity, primary irritancy, and skin sensitization. Vet Hum Toxicol. 1997 Dec;39(6):340-6.8. St Clair MB, Bermudez E, Gross EA, Butterworth BE, Recio L. Evaluation of thegenotoxicpotential ofglutaraldehyde. Environ Mol Mutagen. 1991;18(2):113-9. |
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