Efeitos Nocivos de Ftalatos na Saúde dos Seres Humanos: Comprovações Científicas
O primeiro estudo que investigou a relação entre a exposição pré-natal aos ftalatos e alteração da formação genital em seres humanos foi realizada por um time liderado pela pesquisadora Julia R. Barrett. O estudo confirmou que esses compostos químicos podem contribuir a alterações encontradas em meninos que foram expostos na fase uterina. [EHP 113:1056–1061].
Foram coletados os dados de 134 meninos com idade entre 2 e 36 meses, que junto com seus pais participaram do estudo multicêntrico Study for Future Families II, que investigou a exposição pré e pós-natal aos ftalatos e efeitos potencialmente correlacionados ao desenvolvimento. Foram avaliados os testículos e escrotos desses meninos, a posição e o tamanho dos testículos, tamanho peniano e distância anogenital. Nenhum dos meninos apresentava má-formação óbvia. As amostras da urina durante a gravidez foram disponibilzadas por 85 mães. A análise quantificou as concentrações de 9 metabólitos de ftalatos, sendo esses biomarcadores da exposição pré-natal aos ftalatos.
Para investigar a correlação entre a exposição e desenvolvimento genital, foi calculado índice anogenital (AGI), dividindo a distância anogenital de cada menino com sua altura. Então, foram calculados valores esperados para percetil 25º e 75º.
Segundo os resultados, mais de 90% das gestantes apresentaram as evidências da exposição aos ftalatos. Foi encontrado que 4 metabólitos - monoetil, mono-n-butil, monobenzil e monoisobutil ftalato – foram relacionados de maneira significativa com o curto AGI. A associação foi maior com altas concentrações desses metabólitos. Os resultados também mostraram que o curto AGI foi relacionado ao processo incompleto de um ou ambos os testículos descerem para a bolsa escrotal.
Embora esse estudo seja pequeno, os pesquisadores concluiram que esses dados confirmam a relação entre a exposição pré-natal aos ftalatos e saúde em seres humanos. Sugere-se que os ftalatos podem afetar o desenvolvimento do aparelho reprodutivo masculino, indicando a necessidade de conduzir um estudo maior e em uma população mais diversificada.
Environ Health Perspect. 2005 August; 113(8): A542.
Exposição Pré-Natal dos Meninos aos Ftalatos Reduz Brincadeiras Típicas Masculinas (3)
Foi confirmado em roedores machos que a exposição fetal aos antiandrôgenos altera o desenvolvimento das funções sensíveis aos andrógenos. A exposição fetal de seres humanos a esses compostos também está associada ao desenvolvimento do sistema reprodutivo, porém os efeitos no neurodesenvolvimento não foram elucidados.
Swan et al. avaliaram o comportamento na hora de brincar em relação à concentração de metabólitos de ftalatos na urina no período pré-natal. Foram contactados os participantes do estudo Study for Future Families. As mães completaram questionários, incluindo o Pre-School Activities Inventory, um instrumento validado para avaliação do comportamento sexualmente dismórfico. Foram analisados os escores de comportamento na hora de brincar (masculino, feminino e composto) em relação (log10) às concentrações urinárias dos metabólitos de ftalatos das mães, para meninos (N = 74) e meninas (N = 71).
As concentrações dos metabólitos de dibutil, mono-n-butil e monoisobutil ftalato, assim como sua soma, estavam correlacionadas o menor escore (menos masculino) em meninos. As concentrações de di(2-etilhexil), mono-(2-etil-5-oxohexil) e mono-(2-etil-5-hidroxihexil) ftalato e sua soma foram associadas à redução do escore masculino. Em meninas, esses efeitos não foram observados.
Os dados sugerem que a exposição pré-natal a ftalatos antiandrogênicos pode estar associada a um comportamento menos típico para meninos. Os achados sugerem que esses compostos podem afetar o desenvolvimento cerebral responsivo a andrógenos.
International Journal of Andrology. 2009. Volume 33 Issue 2, Pages 259 - 269
A Exposição Pré-Natal aos Ftalatos Pode Ser um Fator de Risco Para Baixo Peso no Nascimento (3)
Pesquisadores chineses avaliaram a exposição maternal-fetal aos ftalatos e investigaram se a exposição aos ftalatos no útero está associada ao baixo peso no nascimento (LBW). Um total de 201 pares recém-nascidos - mães (88 casos de LBW e 113 controles), da região de Shanghai, participaram desse estudo aninhado e caso-controle, durante 2005-2006. O sangue materno e do cordão, assim como as amostras de mecônio foram coletados e analisados para presença de ftalatos através da cromatografia líquida de alta performance-espectrometria de massa. Testes não-paramétricos foram utilizados para comparar as características demográficas em casos e controles. Os métodos de Conditional logistic regression e Spearman correlation foram usados para estabelecer a correlação entre a exposição aos ftalatos e o LBW.
Não foi encontrada qualquer diferença significativa em relação à idade gestacional, índice de massa corpórea na pré-gestação, acompanhamento pré-natal, suplementação vitamínica ou nível socioeconômico entre os bebês dos grupos LBW e controle. Mais de 70% das bioamostras apresentaram níveis quantificáveis de ftalatos, sendo esses níveis maiores nos bebês do grupo LBW comparados com os controles. A exposição pré-natal ao di-n-butil ftalato (DBP) foi associada ao LBW, enquanto a exposição ao di-2-etilhexil fthalato (DEHP) foi negativamente correlacionada no comprimento ao nascimento. Após ajuste para potenciais confounders, a concentração de DBP no quartil mais alto foi associada ao aumento de risco de LBW.
Os recém-nascidos na China estão expostos aos ftalatos; níveis de ftalatos significativamente maiores foram encontrados nos casos de LBW em relação aos controles. A exposição aos DBP e DEHP In utero foi associada ao LBW de maneira dose-dependente. A exposição pré-natal aos ftalatos pode ser um fator de risco para baixo peso no nascimento.
J Pediatr. 2009 Jun 23. [Epub ahead of print] |