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Cosméticos
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Natura e Renner voltam a testar suas máximas

Será o céu o limite para Natura e Lojas Renner? Depois de saírem do foco dos investidores ao longo do mês de julho, elas estão de volta. Ontem, as ações ordinárias (ON, com direito a voto) de ambas as empresas marcaram presença no grupo das maiores altas do Ibovespa.

Natura acabou encerrando o dia no topo do ranking, com valorização de 4,38%, cotada a R$ 44,57. No mês, o retorno chega a 13,20% e, no ano, a 27,79%. A empresa divulgou os resultados referentes ao segundo trimestre no dia 21. Como destacou a Fator Corretora em relatório na ocasião, os números vierem fortes, com crescimento de receita e margem operacional acima das expectativas em função da diluição de despesas operacionais.



Já Lojas Renner registrou ganho de 3,79% no pregão de ontem, a R$ 54,48. Em julho, as ações da empresa já subiram 11,18% e, no ano, mais 41,30%. A publicação do balanço da varejista estava marcada para ontem, depois do fechamento do pregão. Como a perspectiva era positiva, os investidores aproveitaram para aumentar suas apostas ontem.

Tanto Natura como Renner são beneficiadas pelo cenário macroeconômico de crescimento forte, aumento de emprego e renda real. Mas também as empresas guardam perspectivas positivas para os próximos trimestres, graças a novas estratégias de expansão, afirma o gestor de renda variável da Modal Asset, Eduardo Roche.

Ele ressalta que é difícil enxergar potencial para as ações de ambas as empresas. Além de estarem nas máximas históricas, elas estão caras em termos de múltiplos, destaca Roche. Para 2010, segundo cálculos da Modal, o índice preço/lucro (P/L, que dá ideia do tempo que o investidor vai levar para ter de volta o que aplicou) tanto de Natura quanto de Renner está acima de 26 vezes, também no topo histórico.

Na visão do gestor, o fluxo, inclusive de estrangeiro, explica parte das distorções na avaliação dessas empresas na bolsa, além das perspectivas favoráveis para as próprias companhias. Isso ficou mais claro nos meses de maio e junho, quando o cenário externo ficou nebuloso, derrubando as commodities e as empresas de matérias-primas.

Em julho, o olhar do investidor começou a se voltar para setores mais atrasados, como o de construção civil e de bancos. Ontem, Cyrela Realty ON subiu 4,24% e foi a segunda maior alta do Ibovespa. No mês, lidera os ganhos, com 26,09%. Rossi Residencial ON foi outro destaque de alta, com mais 3,37%. No mês, o retorno chega a 22,52%, o terceiro maior do índice.

Os bancos tiveram um pregão chocho, mas porque já vinham com altas expressivas. O Bradesco, depois de divulgar na quarta-feira balanço acima das expectativas, fechou na máxima histórica, puxando o setor. No mês, as ações preferenciais (PN, sem voto) do banco sobem 26,03%, a segunda melhor marca do Ibovespa. No ano, contudo, a alta é mais modesta, de 8,10%.

Itaú Unibanco PN tem valorização de 21,37% no mês e de 3,60% no ano; Banco do Brasil ON sobe 21,30% em julho e 4,48% em 2010. Já as units do Santander acumulam alta de 24,91% no mês e queda de 2,69% desde janeiro.

"A crise na Europa afetou os bancos brasileiros, mas a melhora do cenário lá fora aliada ao sólidos fundamentos do setor puxaram a recuperação", afirma o analista da Spinelli Daniel Malheiros. Fora os múltiplos atraentes, acrescenta.

O Ibovespa subiu 0,22%, no nono pregão consecutivo de alta. Fechou a 66.953 pontos. A volta do estrangeiro tem impulsionado o índice. No mês, até o dia 27, o saldo estava positivo em quase R$ 3 bilhões.

Alessandra Bellotto é repórter de Investimentos. A titular da coluna, Daniele Camba, está de licença.

Fonte: VALOR – SP 30/07/2010
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